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segunda-feira, 11 de abril de 2016

O amor de Deus (Isaías 43, 1-7; João 3, 16-18)


I.       INTRODUÇÃO.
Todo ser humano, de maneira geral, necessita ser amado e amar. Muitas vezes, ou na grande maioria das vezes, porém, o vocábulo “amor” é interpretado ou empregado erroneamente, sobretudo, fora do contexto do que realmente o amor é em si e para que função ele exige ou emprega.
Como cristãos, e tendo por base as Sagradas Escrituras, entendemos que existe um Deus, que em sua essência, Ele é amor, como nos atesta o apóstolo João:
Deus é amor!” (I João 4, 16b).
            Uma das citações bíblicas mais usadas para expressar o amor de Deus no Antigo Testamento é Isaías 43, 1-7; que, inclusive, já foi chamada por muitos pregadores como “carta do amor de Deus”. Só Deus mesmo, sem reservas e de maneira perfeita, pode nos amar assim, com um amor sem medida. Veja algumas características do amor de Deus, já encontradas nesse trecho do Antigo Testamento (Isaías 43, 1-7):
Ø  Deus foi quem nos criou e nos formou: Isaías 43, 1a;
Ø  O Senhor nos conhece pelo nome e é o nosso dono: “Eu te chamo pelo nome, és meu!” (Isaías 43, 1b);
Ø  O Senhor está conosco presente em todas as situações e nunca nos abandona (Ele é companheiro): Isaías 43,2;
Ø  Ele é o nosso Salvador (um amor que salva), sendo o nosso Deus e libertador: Isaías 43, 3;
Ø  Aos olhos do Senhor temos importância, estima, admiração, apreciação e preciosidade: Isaias 43, 4a;
Ø  Move céus e terra a nosso favor: “permuto reinos por ti e entrego nações em troca do nosso favor” (Isaías 43,4b);
Ø  Dá-nos tranquilidade, já que está sempre do nosso lado lutando por nós: Isaías 43, 5a;
Ø  Dá-nos seu nome e sua glória: Isaías 43, 7.
Podemos entender também que, uma vez que Deus é amor, a Criação de tudo o que existe é prova de seu amor para conosco, uma vez que as Obras criadas por suas mãos foi como que uma “explosão de seu amor para conosco”. Quando o Senhor fez os céus, o mar e tudo o que neles há, tudo foi perfeitamente criado para o homem. Só depois de criar tudo o que existe, criou o homem e a mulher (Gn1, 26-27). Por tanto, todas as coisas foram criadas para o homem. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “Deus criou tudo para o homem” (CIC, nº 358).
De todas as criaturas visíveis, só o homem é “capaz de conhecer e amar seu criador” (CIC, nº 356). O ser humano foi criado por Deus em “estado de santidade e de justiça original” (CIC, nº 375). O Papa João Paulo II certa vez afirmou que quando Deus desejou criar o homem “ele olhou para SI mesmo e encontrou o homem e a mulher que planejou criar”. O Catecismo da Igreja Católica afirma que ao criar o ser humano, Deus se apaixonou pela obra feita, eu e você, no caso:
Que motivo vos fez constituir o homem em dignidade tão grande? O amor inestimável pelo qual enxergastes em vós mesmo vossa criatura, e vos apaixonastes por ela; pois foi por amor que a criastes, foi por amor que lhe destes um ser capaz de degustar vosso Bem eterno.

[Catecismo da Igreja Católica, nº 356]


A criação de todos os anjos e do Céu, da terra e do mar, bem como de todo o restante do exército da Criação de maneira geral, foi uma grandiosa prova do amor de Deus para conosco.

II.                A MAIOR PROVA DO AMOR DE DEUS PARA CONOSCO: A NOSSA SALVAÇÃO EM JESUS CRISTO!
Sem sombra de dúvidas, a maior prova ou a maior tradução do amor de Deus foi a nossa salvação conquistada pelo sangue de Jesus no alto daquela cruz, o que nos deu a graça de sermos chamados de seus filhos e participantes da herança divina:
João 3, 16-18: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.  Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus”.
I João 3, 1-2:Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é.”
I João 4, 7-16: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.  Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele.  Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos nele e ele em nós, por ele nos ter dado o seu Espírito. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo. Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele”.
Colossenses 1,13-14: “Ele nos arrancou do poder das trevas e nos introduziu no Reino de seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados”.
Gálatas 4,4-7: “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus”.
Tito 3, 3-7: “Porque também nós outrora éramos insensatos, rebeldes, transviados, escravos de paixões de toda espécie, vivendo na malícia e na inveja, detestáveis, odiando-nos uns aos outros. Mas um dia apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens. E, não por causa de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de sua misericórdia, ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido em profusão, por meio de Cristo, nosso Salvador, para que a justificação obtida por sua graça nos torne, em esperança, herdeiros da vida eterna”.
                Outras citações bíblicas que demonstram o amor de Deus aos homens, mesmo que eles sejam pecadores, ao ponto de entregar o seu Único Filho para salvá-los: João 14, 23; 17, 23; Rm 6, 6-7; 5, 8; 8, 32.37; Ef 2,4; I Jo 3,1; 4,7...
O Catecismo da Igreja Católica deixa bem claro que a maior obra da misericórdia do nosso Deus foi a nossa justificação alcançada em Jesus Cristo através do derramamento de seu sangue, quando remiu os nossos pecados e nos salvou de uma vez por todas:
A justificação é a obra mais excelente do amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus e concedido pelo Espírito Santo. Sto. Agostinho pensa que "a justificação do ímpio é uma obra maior que a criação dos céus e da terra", pois "os céus e a terra passarão, ao passo que a salvação e a justificação dos eleitos permanecerão para sempre". Pensa até que a justificação dos pecadores é uma obra maior que a criação dos anjos na justiça, pelo fato de testemunhar uma misericórdia maior.
[Catecismo da Igreja Católica, nº 1994]

III.             O AMOR DE DEUS NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA:
No próprio Catecismo da Igreja Católica vemos toda uma teologia voltada para o amor de Deus. De maneira sistemática, o Catecismo da Igreja nos traz a Doutrina acerca do amor de Deus no seu Índice Analítico apresentando os parágrafos que lhes são correspondentes:
·         O amor de Deus cria o mundo e o conserva: 421;
·         O amor de Deus dispõe as criaturas até o fim último: 321;
·         O amor de Deus ordena tudo para a salvação do homem: 313;
·         O amor de Deus para com Israel: 219, 2020;
·         O amor de Deus é “ciumento”: 2737;
·         O amor de Deus foi a causa da criação: 27, 293, 295;
·         O amor de Deus é a fonte da oração: 2658;
·         O amor de Deus é fruto do Espírito Santo: 736, 1332, 2658;
·         O amor de Deus é o primeiro dom: 733,
·         O amor de Deus é o princípio de vida nova: 735;
·         A criação é o primeiro testemunho do amor de Deus: 315;
·         Deus não abandona suas criaturas: 2577;
·         Home e mulher foram feitos à imagem do Deus amoroso: 2331;
·         O homem é um participante do amor da Trindade: 850.  

IV.              ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO AMOR DE DEUS:
Pelas Sagradas Escrituras e seu exame, podemos detectar algumas das principais características do amor de Deus, conforme a proximidade do povo de Israel e de seus demais filhos para com Ele:
§  O AMOR DE DEUS É PESSOAL: Isaías 49, 14-16.
§  O AMOR DE DEUS É GRATUITO E ELETIVO: Deuteronômio 7,7; Jeremias 12, 7-9; Ezequiel 16, 8.
§  O AMOR DE DEUS É MISERICORDIOSO: Oséias 14,19; Provérbios 3, 11-12; Romanos 4, 7-8; Hebreus 8,12.
§  O AMOR DE DEUS É FIEL E CONSTANTE: Isaías 54,10; I Tessalonicenses 5,24.
§  O AMOR DE DEUS É ETERNO: Jeremias 31,3;
§  O AMOR DE DEUS É COMPANHEIRO (Está conosco em todos os momentos): Salmo 27, 10; Jeremias 20, 11; Isaías 43,2; Mateus 28,20.
§  O AMOR DE DEUS É CARINHOSO, A PONTO DE FAZER PROJETOS E ENXUGAR AS NOSSAS LÁGRIMAS: Jeremias 29, 11-14; Ap 21,4.

V.                 O AMOR DE DEUS NOS IMPELE A AMAR O NOSSO PRÓXIMO;

Pelas Escrituras, a pessoa que é amada pelo Senhor e o retribui servindo e sendo de Deus, deve amar o seu próximo também: Mt 5, 43; 7,12; 19,19; 22, 34-40; Mc 12, 28-31; Lc 10, 25-28; Jo 13, 34; 15, 12-17; I Jo 3, 11-17; 4, 7-16.

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