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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pregação do Monsenhor Jonas Abib no Retiro Mundial dos Sacerdotes, em Roma.

pj

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Meus irmãos, o tema que me foi dado para esta pregação é: ‘Deixe o amor de Deus transfomar você’. Essa é a grande realidade que Deus quer fazer nestes dias e nesta manhã. Deus vai fazer isso e Ele quer fazê-lo! Ele está vindo como chuva, por isso não abra o guarda-chuva.

Eu recebi este tema, porque, com alegria, eu sou uma pessoa transformada pelo amor de Deus. Eu já completei, graças a Deus, 50 anos de sacerdócio, agora, no dia 8 de dezembro de 2014. Nesses 50 anos de vida sacerdotal eu fui muito realizado, com sofrimentos, houve reveses, mas eu não trocaria nada por esses 50 anos! Eu realmente começaria tudo de novo, como se hoje fosse o dia da minha ordenação. Quando eu completei os 50 anos de ordenação sacerdotal, eu tomei a passagem da 1 Timóteo 1,12: “Dou graças àquele que me deu forças, Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança e me chamou ao ministério”. Eu posso dizer esta passagem também a respeito de você, sacerdote. Meu irmão, que você realmente tenha um ministério muito fecundo e cheio da graça de Deus!

Doença, ordenação sacerdotal e encontro pessoal com Jesus

No meu último ano de teologia, eu deveria me ordenar no fim daquele ano; no entanto, surgiu uma doença muito estranha: eu não conseguia ver direito, algo deixava minha vista embaralhada e tinha muitas dores de cabeça. Fui a vários médicos, de clínico geral a psiquiatra, para ver o que é que eu tinha e ninguém descobria. Alguns me deram vários remédios, mas nenhum deles resolveu. Até que os meus superiores no mês de maio (e no Brasil o ano letivo começa no mês de março) acharam melhor que eu saísse do seminário e fosse descansar para que eu melhorasse. Daí fui para o seminário menor no Brasil, pois eu sou salesiano. Fui trabalhar na terra, cavar a terra, aguar as plantas. Era algo bom, mas passavam-se os meses e eu não melhorava.
Então viram que era melhor me mandar para um hospital da região, onde o doutor Vanderlei cuidou de mim com muito esmero, mas nem assim eu não melhorava. Ele me passou vários remédios, mas nenhum deles surgiu efeito.

Quando chegou o mês de julho daquele ano, a superiora do hospital veio me dizer que, em Lorena (SP), onde ficava o nosso Instituto de Filosofia, estava começando a primeira Mariápolis (Encontro dos Focolarinos), mas eu nem sabia o que era isso. Quando cheguei ao Instituto de Filosofia, os meus colegas disseram-me que eu não fosse participar, porque era algo chato, as pessoas ficavam cantando músicas e havia oração, pois eu estava doente. Mas depois do almoço, eu não aguentei e fui até lá bem devagar. Quando eu cheguei lá, um rapaz disse-me que eu ficasse atrás da cortina porque havia um rapaz dando um testemunho. E esse rapaz de Pernambuco dizia, em seu testemunho, a respeito de Deus na doença. Ele explicou que era o encarregado daquele encontro e teve uma intoxicação durante a viagem, por isso teve de parar na Bahia e lá ficou mais de 15 dias no hospital. E ele se perguntava: “O que Deus está querendo?”. Ele não era capaz de saber o que estava acontecendo, principalmente por ser o responsável da organização do encontro. Mas ele disse confiar em Deus e estar certo de que Ele estava naquela situação. Aquelas palavras foram me tocando profundamente, porque era também a minha pergunta: “O que é que Deus está querendo da minha vida?”. No último ano de seminário, depois de quinze anos (porque nós, salesianos, fazemos quinze anos de seminário), às vésperas de minha ordenação, eu não sabia mais se iria ser ordenado ou não. Depois disso, entrei na sala do encontro e vi que não tinha nada de chato e fui me envolvendo. Numa das noites do encontro, eu estava sozinho no meu quarto, abri a Bíblia e caiu no Evangelho de São Matheus 16, no qual Jesus pergunta aos apóstolos: “E vós quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (Mateus 16,15).

Meus irmãos, aquela pergunta de Jesus foi para mim! Eu senti Jesus dizendo: “Jonas, quem sou eu para você!”. Eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento, quando eu vi estava ajoelhado no chão e ali me entregava para Deus. Só depois é que percebi que ali foi o meu encontro pessoal com Jesus. Mesmo sem dizer essas palavras, o meu ser inteirinho dizia para Jesus: “O Senhor é o Cristo, o Filho de Deus vivo!” Eu continuei aquela Mariápolis, mas estava diferente, até então eu estava muito desanimado, porque a resposta de Deus não acontecia e a minha doença não mudava em nada. Contudo, depois daquele encontro, sozinho no meu quarto, com essa passagem bíblica, havia ânimo, coragem, alegria e ímpeto dentro de mim. Eu tive a coragem de ir ao meu superior e dizer a ele: “Eu não posso ser ordenado?”. Eu tinha quase certeza de que ele diria “não”, mas ele me disse: “Se você fizer os exames no primeiro semestre e passar, você poderá ser ordenado”. Aquilo me deu mais ânimo ainda, então me despedi das pessoas e voltei para o seminário a fim de começar tudo de novo. Daí fui estudar para os exames e a dor de cabeça continuava. Foi muito difícil estudar por essa razão, mas estudei o máximo que eu pude. Chegou o dia de prestar os exames e, como aqui na Europa, os exames foram feitos oralmente, primeiro pela minha dificuldade, segundo porque assim eles poderiam me perguntar tudo o que queriam. Para a minha alegria, eu passei no exame e abriram-se as portas para a minha ordenação. Isso era no fim de novembro, e a minha ordenação seria no dia 8 de dezembro. Eu fui com toda a vontade rumo à minha ordenação.

Agora eu volto atrás novamente para você entender: ali aconteceu o meu encontro pessoal com Jesus que mudou o rumo da minha vida. Eu estava começando a experimentar as mudanças, e a grande mudança foi aquela: era quase um milagre eu me ordenar e eu estava às portas da ordenação. Você que é padre sabe do que estou falando, porque tive que correr com os paramentos, os objetos, cálices e convites na última hora, pois não estava preparado, nem tinha certeza [de que seria ordenado]. Mas porque eu tive o meu encontro pessoal com Jesus tudo mudou. E graças a Deus, como eu contei, no dia 8 de dezembro de 1964, eu me ordenei com mais 16 colegas de teologia.

A importância do encontro pessoal com Jesus

E o que eu quero destacar aqui é a importância de termos o nosso encontro pessoal com Jesus, principalmente nós, sacerdotes. Porque eu me encontro com alguns sacerdotes que ainda não tiveram o seu encontro pessoal com Jesus. E nós estamos em um retiro para sacerdotes, e o que Deus mais quer é que nós, sacerdotes, tenhamos um encontro com Ele. É o título da palestra: “Deixe o amor de Deus transformar você!”, e como o amor de Deus vai transformar você? Dando a você a graça de ter o encontro pessoal com Jesus. Quantos sacerdotes, até mesmo com anos de sacerdócio, têm muitas dificuldades e até mesmo de situações de pecado, porque ainda não tiveram a transformação que se dá com o encontro pessoal com Jesus. E a primeira coisa que o sacerdote precisa é ter o seu encontro pessoal com Jesus, porque ele vai ser outro Cristo no mundo. E se ele é outro Cristo pelo sacerdócio, é urgente, é necessário e imprescindível que ele tenha um encontro pessoal com Jesus.
Eu rezo por você, sacerdote: “Eu estou pedindo, Senhor, que todos estes meus irmãos no sacerdócio tenham este encontro pessoal Contigo, Jesus. Se eles não tiveram essa graça é porque não a quiseram. E com o encontro pessoal com Jesus que aconteça toda uma mudança e que eles tenham esse encontro pessoal com o Senhor!
Reze agora você, sacerdote: “Eu quero ter um encontro pessoal Contigo, Jesus. Conceda-me este encontro. Eu preciso deste encontro para ter uma vida renovada. Eu preciso ser um sacerdote novo, Senhor!“.

O trabalho com os jovens e a tuberculose

Passaram-se os anos e, graças a Deus, justamente por causa deste encontro pessoal que tive com Jesus, eu ingressei em um trabalho muito lindo. Eu fui para o colégio salesiano, onde havia uma paróquia, e fomos os primeiros no Brasil a presidir a Santa Missa para jovens. Começamos a fazer isso em 1965 e 1966 e, como não havia música própria para os jovens cantarem nas Celebrações Eucarísticas, como eu já era músico e maestro, eu mesmo as tocava no piano. Com isso, foram vindo as músicas e eles gostavam muito delas e a igreja, que era grande, ficava lotada de jovens. E mais que isso: após a Santa Missa tínhamos formação humana e espiritual com muito conteúdo sobre o Evangelho e eu os convidava a viver aquela passagem bíblica durante a semana. E o interessante é que não havia o costume de pegar a Bíblia naquela época [para fazer esse tipo de leitura e meditação]. 

Depois, no próximo encontro, eles partilhavam o que viviam. E cada vez mais, foi crenscendo a vivência do Evangelho entre todos. E fui vendo que era necessário que aqueles jovens também tivessem o seu primeiro encontro pessoal com Jesus.

Então organizamos um encontro [para promover essa graça], que foi muito sofrido para ser realizado por falta de compreensão das pessoas. Houve muitas contradições e maledicências, por isso fui chorando para o lugar do encontro, mas fomos. Lá tivemos momentos de oração, palestras, trabalho de grupo e celebrações da Eucaristia e momentos de confissões. E como éramos apenas dois sacerdotes, íamos noite e madrugada afora confessando aqueles jovens. No dia seguinte, quando o encontro terminou, eu pedi que cada um dissesse o que foi aquele encontro de oração. E o lindo é que diziam: “Eu tive o meu encontro pessoal com Jesus” e “Eu tive uma trombada com Jesus”. E não ficamos falando muito do encontro pessoal com o Senhor, mas mais sobre a Palavra, a doutrina da Igreja e sobre sacramentos, demos testemunhos e, no final, eles se expressavam assim.

Meus irmãos, foi algo empolgante e, a partir daquele encontro, mais jovens queriam fazê-lo. Por fim, de quinze e em quinze dias, continuamos a fazer os encontros, nos quais eu pregava, ministrava música e também confessava os participantes. E continuava todo o meu trabalho no colégio onde eu estava. Conclusão: por causa de todo este meu trabalho eu fiquei tuberculoso. E o mais difícil foi ver todo o meu trabalho cortado. Eu fui para o sanatório e, durante aquele mês, fiquei tranquilo, no quarto, tomando as injeções e foi um mês inteiro assim. Eu diria que eu estava “comportado”. Mas passado esse tempo, eu comecei a andar nos outros quartos e reparei que 80% deles eram jovens. Eu não me contive, eu que havia sido “comportado” até aquele momento, comecei a conversar com eles e a criar confiança, logo eles começaram a se confessar comigo e a contar situações dolorosas. Eu travei uma grande amizade com eles e fui percebendo que eles desejavam mais, pois também não tinham tido o seu encontro pessoal com Jesus. Chegando o Natal, a minha pergunta era esta: “O que vamos fazer com estes jovens?” E eles disseram: “Nós queremos uma Missa!”. Pensei que, por serem tuberculosos, a Santa Missa seria mais cedo, mas eles disseram: “Vamos fazê-la à meia-noite!”. E realmente as irmãs que cuidavam do sanatório permitiram e ensaiei com eles as músicas, ora com violão ora com teclado. E fizemos a Missa, as vozes desses tuberculosos ressoavam pelo sanitário e foi uma glória.

Então já comecei a pensar: “Vamos fazer um encontro para estes jovens aqui no sanatário”. Era uma loucura, mas eu me arrisquei; marquei por telefone com os pregadores para fazermos este encontro. E aconteceu um grande encontro no salão do sanatório. Foi como os outros encontros, mas com jovens tuberculosos. E eu confessava todos, porque só tinha eu de padre. E depois do encontro, você via que no semblante e no coração deles havia uma alegria nova. Eram outras pessoas. E no fim eles testemunhavam: “Eu tive aqui o meu encontro pessoal com Jesus”.

O que eu vi era o Senhor repetindo na minha vida e na vida dos jovens o que Ele fez por mim naquela Mariápolis. Só que aconteceu algo muito interessante. O médico, que cuidava pessoalmente de mim, mandou chamar o meu superior e lhe disse: “Se o senhor quer que este padre se cure, tire-o do sanatório”. E o médico foi tão incisivo que o meu superior viu que, se era para eu ser curado, eu precisava sair de lá, porque, no sanatório, eu trabalhava tanto quanto eu trabalhava antes. Então o meu superior me removeu para outro colégio, decisão que eu aceitei, mas com muita dor, porque estava pondo fim ao trabalho que eu fazia com os jovens nos encontros.

Passou-se um tempo e vi que não voltaria mais para o meu trabalho anterior, tudo aquilo já era findo. E com isso, cresceu em mim um grande sentimento de ressentimento e mágoa. No fundo, uma revolta com meus superiores, eu não queria, mas sentia isso e estava magoado. Eu que havia tido a graça do encontro pessoal com Jesus, já não tinha mais aquela alegria e entusiamo. E principalmente eu já não rezava mais, somente rezava o Ofício Divino, mas mal ainda. Você imagina um padre que não reza?

O batismo no Espírito Santo

O interessante é que eu tive um propósito como inspiração de Deus: rezar, antes de dormir, o Veni Creator: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da terra […]”. Algumas vezes, essa era a única oração do dia, era esta e nada mais. Lá naquele colégio para onde eu fui, havia um grupo de jovens, que passaram pelos encontros que tinham feito. Aos poucos eu fui me aproximando e cuidando deles, porque percebi que necessitavam. Não podia exagerar, mas cuidava deles. E nesse grupo de jovens não havia ações nem atividades. Eram bons, mas sem ação. Então eu convidei o padre Irineu Danelon, que é hoje bispo no estado de São Paulo, para fazer uma palestra sobre ação. Quando ele chegou, pegou a Bíblia e abriu no livro dos Atos dos Apóstolos, que mostra a presença e a ação do Espírito Santo, e foi mostrando passagem por passagem. Aquelas passagens eu conhecia, mas elas tiveram uma incisão diferente na minha vida naquele momento, parece que saltavam aos meus olhos ao ver a ação do Espírito Santo nas pessoas, na Igreja e na sociedade da época.

Então eu pedi que o padre Irineu fizesse uma pregação sobre ação e ele fez sobre a ação do Espírito Santo. E era disso que aqueles jovens e eu precisávamos. Tanto assim que não consegui ficar até o fim da palestra, saí pelo fundo da sala e fui à capela e disse ao Senhor: “Senhor, eu não estou entendendo mais nada. Eu peço para fazer uma palestra sobre a ação, padre Irineu faz sobre ação do Espírito Santo. Mas eu sinto que é disso de que eu preciso. Neste momento eu estou precisando disso. Então se é disso mesmo que eu preciso, concede-me, Senhor!”.

Fiquei mais um bom momento na capela, no intervalo e na celebração da Santa Missa. E quando terminou a Missa, os jovens foram embora e eu fui fechando as portas e janelas do colégio, quando tocou o telefone. Era um padre redendorista da cidade vizinha de Aparecida (SP), a Padroeira do Brasil, que me pedia: “Estou sabendo que o padre Haroldo Rahm vai fazer uma experiência de oração aí no colégio de vocês, eu queria que você arrumasse duas vagas para os colegas meus que vão participar”. Eu disse para ele: “Vou arrumar!”, mas eu nem sabia a respeito desse encontro com o padre Haroldo Rahm. Esse sacerdote é um apóstolo do Brasil, um sacerdote norte-americano que trabalhou no início com os jovens e depois conheceu a Renovação Carismática Católica. Ele percorria o Brasil fazendo essas experiências de oração no Espírito Santo. Padre Irineu falou sobre a ação do Espírito Santo e padre Haroldo fazia a experiência com o Paráclito. E eu, que não rezava mais com antes, disse para mim mesmo: “Eu vou participar!”.

Na véspera deste encontro, o meu superior veio me dizer: “Amanhã você precisa celebrar a Santa Missa na cidade vizinha” (porque era 2 de novembro) e à tarde vamos ter reunião dos professores”. Então toda a minha expectativa de participar daquele encontro caiu por terra, e pensei: “Meu Deus, o que acontece? O Senhor me mostra que eu preciso, mas quando está à minha frente eu não posso mais participar!”. Naquela noite, eu poderia dizer que estava revoltado, por isso fui rezar: “Vinde, Espírito Santo!”,  foi como uma água fria que caía em mim e eu rezava: “Senhor, eu me entrego. E vou obedecer! Eu não posso participar, mas vou para a Missa e para a reunião”. E o bonito é que já não estava mais revoltado, fui dormir tranquilo. E na manhã seguinte, quando eu me levantei para ir presidir a Santa Missa, me deram o recado: “Padre Haroldo está aí e quer conversar com o senhor”. 
Fui lá e conversamos um pouco, sabendo que tinha que realizar a ordem do meu superior. Mas quando começou aquele encontro, o meu superior disse para mim: “Pode participar!”, e logo percebi que Deus tinha me atendido o pedido. Foi só um dia de retiro e no fim da Missa, o padre Haroldo disse: “Se vocês quiserem, eu imponho as mãos sobre vocês pedindo a efusão do Espírito Santo, da qual eu falei”. Porque nos seus testemunhos, ele explicava o que a Renovação Carismática Católica (RCC) estava fazendo no mundo em 1971, devido à “explosão” da renovação em 1967, que comemoraremos agora, em 2017, 50 anos.

E ele contou já naquela época o que Deus estava fazendo com a Renovação Carismática Católica e nos falou do batismo e dos dons do Espírito Santo como está na Bíblia, mas acontecendo nos tempos de hoje, e com os católicos. E eu fiquei abismado: “Mas como oração em línguas?” E acolhi. E na sacristia ele disse: “Eu imponho a mão sobre vocês para receberem o Espírito Santo”. E quando foi a minha vez, eu desejei essa graça do fundo do meu coração, eu a quis mesmo! E disse: “Deus está me dando aquilo de que eu necessito”. Só que quando o padre Haroldo chegou em mim, colocou as mãos e orou, não aconteceu nada comigo, eu fiquei do mesmo jeito, somente que, eu sendo um padre que não rezava havia muito tempo, por ressentimento e mágoa, sozinho andando pelos pátios daquele colégio, comecei a rezar como eu nunca tinha rezado na minha vida. Eu digo que era uma oração gostosa, tinha prazer e satisfação ao fazê-la. Fiquei rezando até de madrugada. Só fui para o dormitório porque de manhã eu tinha os trabalhos próprios do sacerdócio. E pela manhã, parece que as árvores tinham sido lavadas, o colégio tinha sido pintado, tudo era bonito, mas é claro, tudo estava do mesmo jeito. Dentro de mim é que tudo estava mudado. E aconteceu o que o padre Haroldo pediu: o batismo do Espírito Santo.

Digo para vocês que esta foi a grande graça na minha vida. Claro, o encontro pessoal com Jesus foi a porta de entrada e o Senhor queria me levar mais além com o batismo no Espírito. Daquele dia em diante, eu fui percebendo toda a transformação a partir da oração, porque antes eu quase não rezava. 

Rezava agora o Ofício Divino com prazer, a oração pessoal agora era feita com gosto. A Celebração da Eucaristia mudou totalmente, havia um fervor especial. A minha pregação mudou. Eu sempre preparei bem a minha pregação, mas, a partir daquele momento, tinha uma força diferente e um gosto novo. E até mesmo o arrependimento dos meus pecados mudou. O batismo no Espírito faz com que o Espírito Santo venha a nós e nos dê um arrependimento forte e verdadeiro. Faz com que as nossas confissões sejam substanciosas, mesmo que não tenhamos grandes pecados.

Eu saía da minha cidade e ía para a Basílica de Aparecida me confessar com grande arrependimento dos meus pecados e constato o seguinte: eu não era ainda o que eu queria ser, eu não era ainda o que Deus queria o que eu fosse, mas, graças a Deus, eu não era mais o que eu era antes. Deus fez uma mudança substancial na minha vida, maior ainda do que quando tive o meu encontro pessoal com Jesus.

O meu lema sacerdotal é: “Feito tudo para todos” da Carta aos Coríntios 9. E graças a Deus com o batismo no Espírito Santo, eu pude fazer muito mais, e me fiz tudo para todos. E como, para mim, o encontro pessoal com Jesus e o batismo no Espírito Santo foram as chaves, assim como o padre Haroldo ia pelo Brasil realizando as experiências de oração, eu comecei a fazê-las também.

As experiências do batismo pelo Brasil e oração final

Graças a Deus, corri o Brasil todo levando o batismo no Espírito Santo. São poucos os lugares do Brasil nos quais eu não estive: ora para momentos de oração, ora para congressos, pregações. E o mais importante: eu tinha um propósito, que é o seguinte: há um pastor evangélico pentecostal, do sul da África, que era chamado “Mister Pentecostes”, porque aonde quer que ele fosse, em suas palestras, ele fazia aquilo que lhe pediam, mas ele arrumava um jeito de falar do Espírito Santo, dos dons das línguas e rezar por eles. Pela graça de Deus, eu me tornei no Brasil um “Mister Pentecostes” indo a muitos lugares no país, estando com muitas pessoas e com grupos grandes, como em estádios de futebol reunindo de 100 a 20 mil pessoas. E o que fazia, dependendo do tema, eu falava do batismo e orava para que as pessoas fossem batizadas no Espírito Santo e orava em línguas. Eu posso dizer isso, com humildade, porque foi o Senhor quem tudo fez. Foi Ele quem tudo fez. Ele apenas me usou para levar a graça do batismo no Espírito Santo para várias pessoas. E desta vitória eu posso me levantar e dizer: “Obrigado, Senhor, porque me deu esta graça! Quero levar às pessoas o batismo no Espírito Santo e os dons do Espírito Santo, e o dom de línguas é a entrada. Eu peço, Senhor, que eu possa levar a muitos lugares esta grande graça. Eu peço aquilo que está no canto de Zacarias. Que eu seja este menino que vá levar a todos os lugares aonde o Senhor quiser: o encontro pessoal Contigo e o batismo no Espírito Santo e todos os dons do Espírito.

É isso que eu quero fazer com você. Talvez você já os tenha recebido e já use os dons do Espírito Santo, e para você que não os recebeu ainda. É graça! Não é o padre Jonas quem os dá, é graça de Deus. Poderia até testemunhar quantas pessoas que os receberam e tiveram suas vidas transformadas.

Oração do batismo no Espírito Santo

Senhor, eu imponho as minhas mãos, especialmente sobre os sacerdotes, mas também sobre os bispos com todo o respeito, porque eles receberam em plenitude os dons do Espírito Santo na ordenação episcopal, mas desta graça, Senhor, que transforma a vida e traz o apostolado, eles precisam também. Então, Senhor, eu peço: derrama o Espírito Santo sobre estes meus irmãos e irmãs para que sejam cheios e repletos! Senhor, assim com Elizeu, eu peço uma porção dobrada do Espírito Santo e que eles tenham a vida transformada. E partir do batismo que eles recebam os dons, e que eles se abram e recebam o dom de línguas e, depois, cada um dos dons a partir da fé carismática: o dom de sabedoria, de discernimento, da palavra de ciência, de curas, da interpretação da línguas, de profecia! Que todos os dons caiam sobre eles, porque como o Senhor disse: “O Espírito do Senhor repousou sobre mim”.

Transcrição e adaptação: Jakeline Megda D’Onofrio.

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