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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Você é universitário? leia a Homilia do Papa na Missa com os universitários, em Roma.


 
 
Celebração das Vésperas com os estudantes da
Universidade Pontifícias de Roma, pela proximidade do Natal
Basílica Vaticana
“Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor” (Tg 5.7)

Com estas palavras o Apóstolo Tiago nos diz para prepararmos nosso interior para escutar e acolher de novo o anúncio do nascimento do Redentor na gruta de Belém, mistério inefável de luz, amor e graça. A vocês, queridos universitários de Roma, que tenho a alegria de encontrar neste encontro tradicional, dirijo com afeto a minha saudação: vos recebo em proximidade com o Santo Natal, com os vossos desejos, expectativas, preocupações; e saúdo também as comunidades acadêmicas que vos representam.

Agradeço ao Magnífico Reitor, professor Massimo Egidi, pelas palavras de cortesia que a mim direcionou em nome de todos vocês, e com as quais evidenciou a delicada missão do professor universitário. Saúdo com viva cordialidade o Ministro para a Universidade, professor Francesco Profumo, e as autoridades das várias universidades.
 

Queridos amigos, São Tiago nos exorta a imitar o agricultor, que “espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência” (Tg 5,7). A vocês que vivem no coração do ambiente cultural e social do nosso tempo, que experimentam as novas e sempre mais avançadas tecnologias, que são protagonistas de um dinamismo histórico, que às vezes parece esmagador, o convite do Apóstolo pode parecer anacrônico, quase um convite que parece sair da história, a não desejar ver os frutos do vosso trabalho, da vossa busca.

Mas é mesmo assim? O convite para esperar Deus é mesmo fora dos tempos? E ainda mais radicalmente podemos nos perguntar: o que significa para mim o Natal; é realmente importante para a minha existência, para a construção da sociedade? São muitas as pessoas que em nossa época, especialmente aquelas que encontramos nas aulas universitárias, que dão voz à pergunta se
devemos esperar alguma coisa ou alguém; se devemos esperar um outro messias, um outro Deus; se vale a pena confiar naquele Menino que na noite de Natal encontramos na manjedoura entre Maria e José.
A exortação do Apóstolo à paciência constante, que no nosso tempo poderia nos deixar um pouco perplexos, é na realidade o caminho para acolher em profundidade a questão de Deus, o sentido que  há na vida e na história, porque é justamente na paciência, na fé e na constante busca de Deus, na abertura a Ele, que Ele próprio revela Sua face.

Não precisamos de um deus genérico, indefinido, mas do Deus vivo e verdadeiro, que abre o horizonte do futuro do homem a uma perspectiva firme e uma esperança segura, uma esperança rica de eternidade e que permite enfrentar com coragem o presente em todos seus aspectos. Mas devemos nos perguntar agora: onde encontrar o verdadeiro Rosto deste Deus? Ou melhor ainda: onde Deus mesmo me encontra mostrando-me o seu Rosto, revelando-me Seu mistério, entrando na minha história?

Queridos amigos, o convite de São Tiago “Sede pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor” nos recorda que a certeza da grande esperança do mundo nos foi dada e que não estamos sós e não somos nós sozinhos que construímos a história.

Deus não está distante do homem, mas se fez carne, e habitou entre nós (Jo 1,14), para que o homem compreenda onde mora o sólido fundamento de tudo, o cumprimento de suas aspirações mais profundas: em Cristo (cfr Exort. ap. postsin. Verbum Domini, 10).
A paciência é a virtude daqueles que dependem dessa presença na história, que não se deixam vencer pela tentação de colocar todas as esperanças num futuro imediato, numa perspectiva meramente horizontal, em projetos tecnicamente perfeitos, mas longes da realidade mais profunda, aquela que doa a dignidade mais alta à pessoa humana: a dimensão transcendente, o ser criatura à imagem e semelhança de Deus, o levar no coração o desejo de elevar-se a Ele.

Existem porém, um outro aspecto que gostaria de destacar nesta tarde. São Tiago nos disse: “Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência” (5,7). Deus, na encarnação do Verbo, na encarnação de Seu Filho, experimentou o tempo do homem, do seu crescimento, do seu ‘fazer-se’ na história. Aquele Menino é o sinal da paciência de Deus, que por primeiro é paciente, constante, fiel ao seu amor por nós; Ele é verdadeiro “agricultor” da história , que sabe esperar.
Algumas vezes os homens tentaram construir o mundo sozinhos, sem o controle de Deus! O resultado foi marcada pela tragédia das ideologias que, por fim, se revelaram contra o homem e sua profunda dignidade.

A paciência constante na construção da história, seja em nível pessoal ou comunitário, não se identifica com a tradicional virtude da prudência, da qual certamente precisamos, mas é algo maior e mais complexo.
Ser persistente e paciente significa aprender a construir a história junto a Deus, porque somente edificando sobre Ele e com Ele a construção está bem fundada, não instrumentalizada com fins ideológicos, mas realmente digna do homem.

Que nesta tarde reacendamos, então, de modo ainda mais luminoso a esperança em nossos corações, porque a Palavra de Deus nos recorda que a vinda do Senhor está próxima, e mais, o Senhor está conosco e é possível construir com Ele.

Na gruta de Belém, a solidão do homem é vencida, a nossa existência não é mais abandonada às forças impessoais dos processos naturais e históricos, a nossa casa pode ser construída sobre a rocha: nós podemos proteger nossa história, a história da humanidade não é uma utopia, mas na certeza que o Deus de Jesus Cristo está presente e nos acompanha.
Queridos amigos universitários, corramos com alegria em direção a Belém, acolhamos entre nossos braços o Menino que Maria e José nos apresenta. Comecemos, a partir Dele e com Ele, a enfrentar todas as dificuldades. O Senhor pede a cada um de vocês que colaborem com a construção da cidade do homem, unindo de modo sério e apaixonado a fé e a cultura.
Para isso, convido-vos a buscar sempre, com constante paciência, o verdadeiro Rosto de Deus, ajudados pelo caminho pastoral que lhes é proposto neste ano acadêmico. Buscar o Rosto de Deus é a inspiração profunda do nosso coração e é também a resposta à questão fundamental que emerge sempre de novo também na sociedade contemporânea. Vocês, queridos amigos universitários, saibam que a Igreja de Roma, com a orientação do sábio e cuidadoso Cardeal Vigário e seus capelães, lhes é próxima

Agradeçamos o Senhor porque, como foi recordado, 20 anos atrás, o Beato João Paulo II instituiu o Escritório da Pastoral Universitária a serviço da comunidade acadêmica romana. O trabalho desenvolvido promoveu o nascimento e o desenvolvimento das Capelanias para chegar a uma rede bem organizada, onde as propostas formativas das diversas universidades – públicas, privadas, católicas e pontifícias – podem contribuir para a elaboração de uma cultura a serviço do crescimento integral do homem.

Ao fim desta Liturgia, o ícone da Sedes Sapientiae
será entregue pela delegação universitária espanhola àquela da Universidade “La Sapienza” de Roma. A peregrinação mariana começará nas capelanias, a qual acompanharei em oração. Saibam que o Papa confia em vocês e no vosso testemunho de fidelidade e empenho apostólico.

Queridos amigos, esta tarde, caminhemos logo, juntos, com confiança o nosso caminho em direção a Belém, levando conosco as expectativas e esperanças de nossos irmãos, para que todos possamos encontrar o Verbo da vida e confiar-se a Ele.
É o que desejo à comunidade acadêmica romana: levem a todos o anúncio que o verdadeiro vulto de Deus está no Menino de Belém, que está assim próximo a cada um de nós e que não deixa ninguém se sentir excluído, ninguém deve duvidar da possibilidade do encontro, porque Ele é o Deus paciente e fiel que sabe atender e responder a nossa liberdade.
A Ele, esta noite, queremos confessar com confiança o desejo mais profundo do nosso coração: “Eu busco o Teu Vulto, Senhor, venha, não demore!”.


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