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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Leitura Orante da Palavra de Deus


Estamos disponibilizando um indicativo para você rezar lendo a Palavra de acordo com a liturgia diária. Deus abençõe! Qualquer coisa, entre em contato conosco: cassiouab@hotmail.com

 
LECTIO DIVINA – LEITURA DIVINA – LEITURA ORANTE

ORAÇÃO INICIAL: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém.
· A leitura orante é um método judaico de assimilação da palavra de Deus e pode ser praticado tanto individualmente como em grupo.
ENTENDENDO O MÉTODO DA LEITURA ORANTE
· MÉTODO = Na língua grega, significa caminho, procedimento, meio pelo qual se quer atingir um objetivo.
· LEITURA = É o ato de ler. E ler, em sentido estrito, é decifrar e compreender um texto escrito.
· ORANTE = que ora, que reza, que induz a oração, que se faz oração, que leva à oração.
· O Método nada mais é do que a leitura apurada que os cristãos faziam do primeiro testamento, para alimentar a fé e animar assim a caminhada da comunidade em meio a conflitos internos e externos, como as dúvidas, os medos, as incertezas, as ameaças e perseguições.
· Por volta do século XII, um monge chamado Guido, no ano 1150, sistematizou e reorganizou o método através de QUATRO DEGRAUS espirituais:
A LEITURA, A MEDITAÇÃO, A ORAÇÃO E A CONTEMPLAÇÃO.
· Segundo Guido: A LEITURA é o estudo assíduo das escrituras feito com aplicação do Espírito;
A MEDITAÇÃO é uma ação deliberada da mente a investigar com a ajuda da própria razão o conhecimento de uma verdade oculta;
A ORAÇÃO é uma religiosa aplicação do coração a Deus, para afastar os males ou obter o bem;
A CONTEMPLAÇÃO é uma certa elevação da alma a Deus, suspensa acima dela mesma, e degustando as alegrias da eterna doçura.
1º DEGRAU - LEITURA = Leia, com calma e atenção, o Evangelho do dia. Se for preciso, leia quantas vezes forem necessárias. Então procure identificar as coisas importantes deste trecho da Bíblia: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. Você conhece algum outro trecho que seja parecido com este que você leu? É importante que você identifique tudo isto com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. É um momento para conhecer e reconhecer a Boa Notícia que este trecho traz!
· A verdadeira leitura é a que nos leva ao entendimento e a compreensão do texto escrito.
· Ao lermos um texto bíblico temos que levar em consideração que ele surgiu a partir de uma determinada realidade socioeconômica-política-cultural-religiosa, e também que alguns fatos foram escritos 100 anos depois que aconteceram, outros 200 anos, e outros até mais de 500 anos.
· Os autores bíblicos escreveram respondendo algumas inquietações do povo, como: medo; desânimo; preocupação; falta de expectativa; falta de reação diante das perseguições; inseguranças e incertezas quanto ao futuro.
· Diante deste quadro, olharam para o passado e, à luz dos fatos acontecidos, compreenderam o que estava acontecendo no presente.
· Vejamos um exemplo concreto em Mc 4,35-41
· Portanto, ao fazermos a leitura, precisamos transportar-nos para a época em que o autor escreveu o texto para podermos saber o que ele estava querendo dizer para seu povo.
· É preciso ler o texto nas linhas e entrelinhas. Às vezes o que não está dito é mais importante do que está dito.
· Esse primeiro passo da leitura orante quer justamente nos dizer que é preciso descobrir como o TEXTO, se situava dentro do CONTEXTO da época em que foi escrito e, qual a mensagem que tinha para o povo.
· Ao iniciar a Leitura Orante da Bíblia, você não vai estudar; não vai ler a Bíblia para aumentar o seu conhecimento nem para preparar algum trabalho apostólico; não vai ler para ter experiências extraordinárias. Mas você vai ler a Palavra de Deus para escutar o que Deus tem a lhe dizer, para conhecer a Sua vontade e, assim, "viver melhor em união com Jesus Cristo". Em você deve estar a pobreza; deve estar também a disposição que o velho Eli recomendou a Samuel: "Fala Senhor que teu servo escuta" (1 Sm 3,10).
2º DEGRAU -  MEDITAÇÃO
· É o momento de descobrir os valores e as mensagens espirituais da Palavra de Deus: é hora de saborear a Palavra de Deus e não apenas estudá-la. Você, diante de Deus, deve confrontar este trecho com a sua vida. Feche os olhos, é preciso concentrar-se.
· A meditação é o momento de deixar Deus falar conosco. Ver que o texto, apesar de pertencer a um outro contexto, tem também algo a ver com a nossa vida, com nosso conflitos e problemas que enfrentamos nas nossas comunidades e grupos.
· Segundo o monge Guido, “a leitura sem meditação é árida, e a meditação sem leitura é errônea”.
· Medita-se atualizando o que se leu, buscando sentido para a vida, tanto pessoal como comunitária, se preocupando em perguntar:
· O que o texto diz pra mim, para nós, hoje? O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto de ontem e a situação de hoje? Quais os conflitos de ontem ainda existem hoje? Que idéias e atitudes, da comunidade ou do grupo, precisam mudar em relação ao texto? Que personagem eu sou dentro do texto? E quem eu sou chamado a ser? O que o Espírito quer falar, quer comunicar?
· Meditar é esvaziar a mente e deixar fluir o sopro do Espírito no silêncio do coração.
· Medita-se também escolhendo algumas frases chaves do texto, para serem mastigadas, repetidas várias vezes, para si e para Deus até que o texto se transforme em alimento, vida e força na caminhada.
· Meditando, atualizamos o texto para nossa realidade, ouvimos a Deus e descobrimos o que ele quer nos dizer e o que ele espera de cada um.
· Como Maria, rumine o que escutou, e "medite na Lei do Senhor", para que, assim, "a Palavra de Deus habite abundantemente na sua boca e no seu coração".
3º DEGRAU -  ORAÇÃO
· Toda boa meditação desemboca naturalmente na oração.
· Agora é o momento de abaixarmos a cabeça, dobrarmos os joelhos, pois é o momento de fazer eco, através de súplica, louvor, prece, perdão, de tudo aquilo que brotou em nosso coração enquanto estávamos lendo o texto e atualizando-o para nossa vida e nossa realidade.
· Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação.
· O Monge Guido dizia que a leitura sem meditação é morna e a meditação sem a oração é infrutífera.
· A oração é então, o entrar em sintonia e diálogo com Deus dando uma resposta solicitada pela palavra que nos foi dirigida por ele.
· Não é uma técnica, mas algo mais, que brota de dentro de cada um através dos sentimentos que surgiram ao fazer a leitura e a meditação.
· Devemos orar aquilo que sai do nosso coração, com alegria ou com dor, com sorrisos ou com lágrimas: se for louvor, louva-se; se for pedido de perdão, pede-se perdão; se for necessidade de maior clareza, pede-se a luz divina; se for dúvida, cansaço, aridez, pedem-se os dons da fé e da esperança; se for discernimento, pedem-se forças para fazer tudo o que for possível; o resto, deixe com Ele. (Jesus)
· Se a leitura e a meditação forem realizadas com atenção e vontade, determinarão o conteúdo desta oração da qual nasce o compromisso de vida.
· Você deve estar sempre preocupado em descobrir: "O que o texto me faz dizer a Deus?". É a hora da prece, o momento de "vigiar em orações". Até agora, Deus falou para você; chegou a hora de você responder a Ele.
· Não é o que você é, nem o que você foi que Deus vê com seus olhos misericordiosos, mas o que você deseja ser. Por isso é importante o compromisso assumido neste degrau.
4º DEGRAU - CONTEMPLAÇÃO
· Contemplar no contexto espiritual consiste em entregar-se, abandonar-se nas mãos de Deus e deixar que a sua ternura toque o nosso coração.
· Não consiste em falar e pensar muito, mas escutar e amar muito. É sentir, pela fé, quase intuitivamente, a presença de Deus ao nosso lado, “invisível aos nossos olhos”, mas se comunicando quase perceptivelmente.
· É um momento onde se permanece em silêncio diante de Deus. Se Ele o conduzir à contemplação, louvado seja Deus! Se Ele lhe der apenas tranqüilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você for um momento de esforço de querer estar na presença de Deus, louvado seja Deus!
· O monge Guido define desta forma este degrau: Uma elevação da alma para além de si, permanecendo como que suspensa em Deus e degustando as alegrias da doçura eterna.
· A contemplação introduz-nos numa “conversa tranqüila com Deus”, sem outro desejo a não ser o de permanecer ao seu lado.
Leve a Palavra de Deus e o fruto desta oração para a sua vida. Não se preocupe se alguma coisa não for bem, um dos frutos da Palavra de Deus é a noção do erro e a conversão pela sua misericórdia. O importante é que a semente da Palavra de Deus produza frutos e que o povo de Deus possa ser alimentado pelos testemunhos de fé, esperança e amor. É dizer sempre: "faça-se em mim segundo a Tua Palavra". “E assim tudo o que deve ser feito, será feito de acordo com a Palavra do Senhor”.
Termine com a oração do Pai Nosso e três Ave-Marias, consciente de querer viver a mensagem do Reino de Deus e fazer a Sua vontade.

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