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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Bispos europeus: crise da família tem fundamento cultural.

ACI
O problema do inverno demográfico na Europa não se deve apenas à falta de políticas familiares, ainda que isso também influencie, mas a uma pressão cultural, segundo os bispos da Europa.
Assim afirmam na mensagem final da 40° Assembleia Geral do Conselho de Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que aconteceu neste fim de semana Zagreb (Croácia). Os bispos europeus constatam que existe um claro decréscimo demográfico e afirmam que sua verdadeira causa não é “o tipo de política familiar que os diversos países estabelecem”, ainda que “este tenha certamente uma influência”. “Isso não parece ser suficiente para explicar a grave diminuição de natalidade que foi qualificada como ‘inverno demográfico’ – afirmam -, mas o clima cultural difundido, que incide muito nos comportamentos pessoais e sociais.”
Por exemplo, destacam que é “seriamente preocupante” o “debate destes dias no Conselho da Europa, que quer limitar o direito à objeção de consciência dos médicos para facilitar o acesso ao aborto”. Por isso, recordam que a Igreja “não deixa de afirmar os valores fundamentais da vida, do matrimônio entre um homem e uma mulher, da família, da liberdade religiosa e educativa: valores sobre os quais se implanta e se garante qualquer outro valor no campo social e político”.
Diante deste panorama, os bispos pedem aos católicos “uma fé mais consciente e documentada, para poder valorizar com sentido crítico a cultura dominante, que colocou em discussão valores como a vida humana desde seu início até seu fim natural, a pessoa e sua estrutura objetiva, a liberdade como responsabilidade moral, a fidelidade, o amor, a família”. “Tudo isso demonstra que, além da necessidade de ter a fé bem arraigada e viva, é necessário acreditar na capacidade da razão de descobrir a verdade das coisas em si mesmas e na ética.”
Por último, destacaram a importância do testemunho dos fiéis: “As muitas famílias que acolhem a presença de Jesus e vivem segundo a verdade da família, não deixam de dar testemunho da beleza e da correspondência do coração humano àquilo que a Igreja proclama, mostrando que é possível viver em família, como Cristo convida”.
Política familiar
Também sobre este tema falou o cardeal Peter Erdö, arcebispo de Esztergom-Budapeste e presidente do Conselho de Conferências Episcopais Europeias (CCEE), durante seu discurso de inauguração. “Uma consequência clara do mal-estar de nossa sociedade” é “o problema demográfico e seu necessário vínculo com a questão da família”, no centro da reflexão do CCEE. “A família e a vida são parte integrante do plano de Deus e são a forma como Deus nos faz previamente gozar da plena comunhão com Ele”, afirma o cardeal Erdö. Destacou também que hoje parece difundir-se uma cultura incapaz de contemplar a “beleza do amor entre um homem e uma mulher, que se unem para a vida toda e fazem de seu amor um dom para acolher e educar novas pessoas”; isso “é e será sempre a mais bela imagem de Deus”. Por isso, afirmou, “falta disponibilidade para um sim à vida.
A organização da vida humana moderna torna difícil manter uma família numerosa. As mulheres não são suficientemente valorizadas em sua maternidade. A crise econômica e o desemprego entram em muitos lugares, trazendo angústias e medos”. Esta crise da família “é um aspecto da crise cultural: se vivemos no momento e para o momento, perdemos o vínculo não só intelectual, mas também biológico e psicológico com o futuro, e não nos sentimos unidos e apoiados pelo conjunto da criação”. Por isso, concluiu, a Igreja “convida a desenvolver políticas adequadas às necessidades reais da família e pede que medidas de ajuda concretas sejam realizadas eficientemente na realidade da família”.

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