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terça-feira, 15 de junho de 2010

A guerra de propaganda entre ateus e cristãos, na Inglaterra



The Guardian

Uma propaganda com a frase “There definitely is a God” [Definitivamente existe um Deus] exposta em ônibus da Inglaterra desencadeou mais reclamações do que qualquer outra propaganda de 2009, e alcançou o terceiro lugar nessa categoria em toda a história, segundo números publicados nesta terça-feira pela Advertising Standards Authority.



A batalha sobre a existência de Deus ajudou a provocar um aumento de 10% nas queixas ao órgão regulador, ou seja, a um número de quase 30.000.
A propaganda do Partido Cristão inglês foi uma reação ao anúncio da British Humanist Association que dizia:”  There is probably no God.Now stop worrying and anjoy yuor life [Provavelmente Deus não existe. Então, pare de se preocupar e aproveite a sua vida].
A ASA não investigou o caso, em razão de os anúncios e partidos políticos estarem fora de seu mandato, apesar de ter recebido 1.204 reclamações afirmando que a existência de um ser divino era ofensiva aos ateus e, em todo caso, não pode ser comprovada. A ASA também não investigou o anúncio dos ateus, mesmo que tenha sido o sexto da lista dos mais reclamados.
No total, houve um aumento de 36% nas queixas de agressividade, cerca de 12.000. No outro extremo do espectro, anúncios que perguntam “Você quer um sexo mais duradouro?” para vender um spray nasal provocaram 500 queixas.
Graças, em parte, a essas campanhas em ônibus, as propagandas em meios de transporte tiveram, em um ano, um crescimento de 267% no número de queixas à ASA. Reclamações sobre outdoors, que também abrangem os anúncios em ônibus, tiveram um crescimento de 100% em um ano.
Em geral, a ASA, que regula a publicidade na televisão, Internet, rádio e imprensa, disse que apenas algumas poucas campanhas distorceram alguns dos números de reclamações em seu relatório anual de 2009.
Enquanto o número total de reclamações passou de 9,6%, chegando a um recorde de 28.978, o número de anúncios que receberam queixas caiu, na verdade, em mais de 10% em um ano, passando para 13.956. E o número de decisões formais, em que a ASA mandou um anúncio ser alterado ou retirado, também caiu ligeiramente em relação ao ano anterior, passando para 2.397.
A ASA proibiu nesta terça-feira um anúncio da Eurotunnel de uma promoção via e-mail, que afirma que o seu serviço de transporte de carros via trem através do túnel leva apenas 35 minutos e funciona “independentemente do tempo”. Um reclamante ficou preso durante várias horas em um check-in do Eurotunnel durante o caos provocado pela neve de dezembro.
A resposta da Eurotunnel à ASA dizia que um consumidor “razoável” não teria uma “visão absoluta” da frase “independentemente do tempo”, e a neve, acusada de parar os trens e bloquear o túnel, deveria ser vista em comparação a um “furacão ou tsunami, já que foi tão incomum”, e que o atraso não se repetiria. A ASA disse que a comparação era inválida, e uma repetição dessa situação não poderia ser descartada.
As queixas com relação à publicidade de bebidas alcoólicas, que teve um aumento de 44% em 2008, despencou em quase 50% no ano passado. Um foco da mídia sobre alterações digitais em anúncios de saúde e beleza, uma causa defendida pelo deputado liberal democrata Jo Swinson, que levou à proibição de um anúncio da Olay que apresentava a atriz britânica Twiggy, teve um aumento de 52% em queixas sobre as campanhas do setor.
O número de reclamações sobre anúncios na televisão, o meio que mais tem reclamações, aumentou 17% no ano passado. Contudo, o número de anúncios que tiveram queixas, na realidade, caiu 3%. A Internet continua sendo o segundo meio com mais reclamações, tendo atraído 3.546 queixas de 2.823 anúncios. No entanto, a ASA disse que 57% dos anúncios que receberam queixas estão fora do seu mandato, que não abrange anúncios de marketing de empresas que são feitos em seus próprios sites, ou seja, o órgão de controle não pode supervisioná-los.
Em 2008, a ASA foi confrontada com uma onda de denúncias com relação à violência na publicidade, principalmente devido ao conteúdo de anúncios que promoviam filmes e videogames, situação na qual o órgão de controle diz ter trabalhado com sucesso junto aos anunciantes para uma redução ao longo do ano passado.

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