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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Papa aceita renúncia de mais um bispo irlandês




“Eu deveria ter desafiado a cultura predominante”, reconhece monsenhor Moriarty




KILDARE, sexta-feira, 23 de abril de 2010 (ZENIT.org).- O Papa aceitou a renúncia do bispo James Moriarty ao governo pastoral da diocese irlandesa de Kildare e Leighlin, informou nessa quinta-feira o Escritório de Informação da Santa Sé.



Monsenhor Moriarty apresentou sua renúncia dia 23 de dezembro, após a publicação do relatório Murphy sobre abusos a menores na Irlanda.



Nesse relatório aparece seu nome como bispo de Dublin, onde foram encobertos casos de abusos cometidos por pessoas religiosas da arquidiocese durante trinta anos.



Essa renúncia foi oficializada após o dia 24 de março, quando Bento XVI aceitou a renúncia do bispo da diocese irlandesa de Cloyne, monsenhor John Magee, que estava sendo investigado desde o ano passado também por possível encobrimento de casos de abusos que teriam acontecido em sua diocese.



Após a aceitação formal da renúncia do monsenhor Moriarty, o bispo voltou a pedir desculpas aos sobreviventes dos abusos e suas famílias por meio de um comunicado.



“Reconheço novamente que desde o momento em que me converti em bispo auxiliar, deveria ter desafiado a cultura predominante”, indica o texto publicado nessa quinta-feira.



“A verdade é que a longa luta dos sobreviventes para serem escutados e respeitados pelas autoridades eclesiásticas revelou uma cultura na Igreja que alguns descreviam simplesmente como não-cristã”, afirma.



Contudo, acrescenta, “é importante poder notar que, aprendendo com o passado, a Igreja na Irlanda realiza agora excelentes procedimentos de proteção às crianças”.



Ao anunciar, no natal passado, que oferecia sua renúncia ao Papa, monsenhor Moriarty explicou as razões de sua decisão, a mais difícil de seu ministério, disse ontem.



“Espero que isso honre a verdade que os sobreviventes têm trazido à luz de uma maneira tão valente e abra o caminho para um futuro melhor a todos os envolvidos”, declarou.



No último mês de fevereiro, quando já havia apresentado sua renúncia, o bispo Moriarty participou do encontro que os bispos irlandeses tiveram com o Papa no Vaticano para abordar a questão dos abusos sexuais.



Naquele encontro, o bispo Moriarty afirmou: “Sejamos claros: nossos erros danificaram a fé de nossa gente e a força de nosso testemunho”, recorda as palavras de seu comunicado.



No comunicado de ontem, garante: “Ao deixar meu cargo hoje, esta será minha inesquecível memória como bispo de Kildare e Leighlin: o testemunho de fé, esperança e amor que temos compartilhado de tantas maneiras como Povo de Deus, leigos, religiosos e clero, nessa diocese”.



“Ofereço meu agradecimento de coração a cada um; foi um privilégio servir por esses oito anos e fazer parte de tudo isso”, disse se referindo ao compromisso real e ativo dos católicos nas diferentes atividades eclesiais.



Reconhecimento



O presidente da Conferência Episcopal da Irlanda, cardeal Sean Brady, destacou a contribuição do bispo Moriarty na conferência episcopal, no comunicado sobre sua renúncia, publicado nessa quinta-feira.



“Queria reconhecer a contribuição que o bispo Moriarty realizou no trabalho da Conferência de Bispos”, indicou, destacando sua contribuição nas áreas de culto, renovação pastoral e desenvolvimento da fé.



Dedicação renovada



Também os bispos da Inglaterra e Gales publicaram nessa quinta-feira um comunicado sobre os abusos a menores em que mostram sua dor por esse “grave pecado”.



“São pecados pessoais de poucos - afirma o texto. Mas estamos unidos no Corpo de Cristo, portanto seus pecados afetam a todos”.



Os prelados também reconheceram os “erros de alguns bispos e líderes religiosos na forma de lidar com esses assuntos”.



“Estes também são aspectos de tragédia que lamentamos profundamente e pelos quais pedimos desculpas”, acrescenta o comunicado.



Os bispos da Inglaterra e Gales consideram que “é o momento para oração profunda e reparação” e convidaram aos católicos a fazer das quatro sextas-feiras próximas do mês de maio “dias especiais de oração”.



Convidaram também a visitar o Santíssimo nas paróquias e pedir para Deus pela “cura, perdão e dedicação renovada”.



“Oramos por todos que sofreram abusos; pelos que manipularam esses assuntos, acrescentando sofrimento aos afetados”, indicaram.



Destacaram ainda: “Nossas orações não excluem aqueles que cometeram esses pecados de abuso; eles têm um caminho de arrependimento para percorrer”.



O Papa reconheceu no dia 17 de março que “esses últimos meses, a Igreja na Irlanda foi submetida a uma dura prova pela crise dos abusos a menores”.



Bento XVI firmou na solenidade de São José, dia 19 de março, uma carta pastoral “para enfrentar essa situação tão dolorosa”. Também manteve diversos encontros com os bispos da Irlanda.

ZENIT

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